sexta-feira, 26 de junho de 2015

Homem Aranha Azul: Quadrinho (Crítica)


Por Kabutows

Ser um herói pode parecer uma maravilha aos olhos da maioria dos fãs de quadrinhos, mas é inegável que eventualmente esses personagens sofram devido a alguma perda, tanto familiar quanto amorosa, e nesse meio de perdas pessoais Peter Parker consegue ser um dos heróis mais positivos, pois mesmo com todas as coisas ruins que o afetaram ele consegue seguir em frente, mantendo aquele jeito brincalhão e sarcástico. Mas ninguém consegue se manter feliz em todos os momentos, e é sobre esse momento de tristeza que trata Homem Aranha: Azul.
O nome de Homem Aranha Azul possivelmente é derivado da expressão norte americana "feeling blue" (que significa tristeza ou melancolia) e consegue retratar bem o espírito da estória. Essa HQ foi escrita por Jeph Loeb e ilustrada por Tim Sale(que juntos já tinham escrito Demolidor: Amarelo e Hulk: Cinza) e é composta de 6 edições. A HQ começa no dia dos namorados com um Homem Aranha melancólico que  todo ano nessa mesma data, vai até um determinado lugar para se lembrar de sua falecida amada, então uma narrativa em primeira pessoa começa e nos acompanha ao longo de todas as edições, nessa trama vemos Peter Parker usando um gravador como forma de "conversar" com Gwen para assim contar para ela tudo que não podia contar acerca dos momentos onde eles se apaixonaram.
A HQ é uma verdadeira viagem no tempo, pois voltamos a época onde Peter Parker mal conhecia Mary Jane, e acompanhamos sua escalada de nerd franzino até galã de novela, vemos personagens conhecidos como Flash Tompson, Harry Osborn e Mary jane, além é claro de alguns vilões como Duende verde e Kraven que apesar de estarem presentes, não são o foco da HQ, que prefere se manter nas relações entre Peter e seus amigos, mostrando o quanto pode ser difícil conciliar a vida dupla de super herói e estudante.
O ponto forte desse quadrinho é sem duvida a narrativa em primeira pessoa, pois através dela conseguimos conhecer um Peter diferente daquele que vemos normalmente, além de também termos um vislumbre de aceitação de Mary Jane como segunda em seu coração e de conseguirmos entender melhor o que passa na mente do amigão da vizinhança, isso tudo de forma gradual sem ser forçado ou parecer aleatório, fazendo com que o crescimento percebido em Peter seja enorme. Essa é uma estória sobre perda, a perda de alguém querido que um super herói tem que passar ao longo de sua vida, e por isso esse clima mais parado e melancólico se torna necessário para podermos sentir o peso que a falta de Gwen faz na vida de Parker, e de como isso o afeta até os dias atuais, mesmo atualmente tendo uma vida amorosa estável com Mary Jane.

Com relação a arte, uma palavra define tudo: maravilhosa, Tim sale tem um traço fantástico, e junto com a colorização de Steve Buccellato dão um ar de coisa antiga mas sem parecer brega, criando um clima que se encaixa perfeitamente na obra, um clima de lembrança de um passado doloroso mas ao mesmo tempo bom, a diagramação dos quadros também é muito bem feita, novamente naquela ideia de parecer antigo sem ser brega, com quadros grandes e quadrados, remetendo a uma publicação da década de 40. Essa atmosfera artística toda é criada de forma a fazer o leitor sentir um clima diferente que essa estória possui, e para isso, um pouco de mente aberta será necessária, mas longe de dizer que a arte é feia, como já disse a arte é maravilhosa, só é diferente do que estamos acostumados atualmente.
O quadrinho foi relançado a algum tempo atrás pela editora Salvat em parceria com a editora Panini, na Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel, contendo as 6 edições originais compiladas em uma só revista de capa dura e alguns bônus como uma pequena biografia sobre Jeph Loeb e Tim Sale em seu fim.
Enfim, nunca fui muito com a cara de quadrinhos americanos, mas Homem Aranha Azul conseguiu mudar essa minha perspectiva sobre esse tipo de publicação, por isso acho que essa estória provavelmente agradara tanto o leito mais velho que já acompanha o herói a um tempo quanto alguém que quer começar a ler quadrinhos americanos mas não sabe por onde, Homem Aranha: Azul pode ser um excelente começo, principalmente por se focar em mostrar um lado mais humano de Peter Parker e conseguir dialogar melhor com o leitor.


Nota: 9,2
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