Sofisticação, classe, luxo e Guerra fria como pano de fundo
de mais um filme envolvendo espionagem em 2015. Em ano repleto de espiões aqui
e ali, os fãs do gênero foram quem saíram ganhando. Depois da surpresa que foi ‘Kingsman:
O Serviço Secreto’, o clichê do gênero com ‘A espiã que sabia de menos’ e em um
show de atuação com Tom Cruise em ‘Missão Impossível – Nação Secreta. Chega a
vez de Guy Richie se divertir com O Agente da U.N.C.L.E, homenageando os filmes
de espiões dos anos 60.
A narrativa tem início em plena Guerra Fria, quando o
agente da CIA Napoleon Solo (Henry Cavill) é forçado a se unir com o agente da
KGB IIIya Kuryakin (Armie Hammer) em uma missão envolvendo remanescentes
nazistas de disparar uma bomba nuclear. Totalmente opostos, eles ainda precisam
proteger a mecânica Gaby Teller (Alicia Vikander). O longa ganha força pela
forma simples de construção de cenas mantendo o tradicionalismo sem
aprofundamento. Mas que funciona graças aos estereótipos consagrados e a deliciosa
atmosfera retrô. O que tornou Elizabeth Debicki a femme fatale visualmente
hipnotizante no papel da vilã.
A fotografia em película de John Mathieson captura com
perfeição o look dos anos 60, com uma imagem levemente granulada e cores desnaturadas,
enquanto a trilha sonora de Daniel Pemberton segue absolutamente genial, ao
fornecer uma identidade única.
A atuação da dupla Solo e IIIya segura bem o filme, seja
nos momentos de tensão ou no bate-boca deles em cenas com a dose certa de humor
apimentando ainda mais a relação entre eles. Henry Caviil se mostra um James
Bond mais debochado e malandro em um contraponto visível a IIIya com um pavio
curto devido aos traumas de infância. A irreverência de Solo cria uma das
melhores cenas do filme, quando este simplesmente se abriga em caminhão e toma
vinho, enquanto o parceiro enfrenta uma perseguição numa lancha. Ou mesmo
quando se percebe drogado e sabendo que irá cair, se deita no sofá. Por outro
lado, Armie nos entrega um sotaque russo convincente do personagem mais ‘capanga’
que representa. E apesar de agirem juntos e ter diversos momentos de piadas
juntos, não chega ser um bromance estranho, o que se equivale ao que Ritchie
fez em suas versões de Sherlock Holmes e Watson de Arthur Conan Dyle.
Um dos poucos pecados que o longa comete é na falta de
aproveitamento nas personagens femininas. Vikander como Gaby tem pouco espaço
para se mostrar capaz. E quando precisou mostrar presença a cena não rendou
para o lado dela a tornando sempre indefesa e ‘dama em perigo’, apesar dela ter
se apresentado como uma mulher forte. Outra é a vilã, pois nas cenas em que
aparece, ela sempre se destaca em função de sua inteligência e sutileza, mesmo
quando é extremamente cruel. No entanto, chega a incomodar o tanto que ela foi
desperdiçada na história, seja com a falta de diálogos mais longos ou mais
cenas. Alguns coadjuvantes até tiveram um pouco de aprofundamento, mas ela
merecia mais, afinal, é a vilã.
Tirando a falta de desenvolvimento das personagens
femininas, U.N.C.L.E conquista em todos os quesitos. Cavill prova ser um bom candidato
a futuro James Bond. E a relação entre tapas e beijos entre Hammer e Vikander
vai ficar para uma continuação merecida. Em termos técnicos, o figurino
impecável destacando a diferença entre Solo e seu terno ajustado e IIIya ‘capanga’
russo. É bem capaz de você se lembrar mais dos quesitos visuais da produção do
que do roteiro em si quando for falar para alguém sobre a película.
Em um bom ano para agentes secretos O Agente da U.N.C.L.E
traz belos diálogos, muita ação e perseguições emocionantes. Um entretenimento
de primeira, sem dúvida. Promovendo uma reconstrução crível da atmosfera da
Guerra Fria e uma química divertidíssima entre os protagonistas, que fazem
valer qualquer clichê. Eu veria a próxima aventura da dupla sem nenhum
problema.
Nota: 9.0





























