REVIEW DOCTOR WHO S09E05 - THE GIRL WHO DIED

E se você descobrisse que a morte é uma habilidade?

PODCAST #18 - POR QUE ASSISTIR DOCTOR WHO ♥

Aqui discutimos sobre o porque Doctor Who, considerada a série mais antiga viva deve ser assistida. Vamos ouvir?

CRÍTICA AO FILME: PERDIDO EM MARTE

Que tal dar uma espiada na nossa mais nova crítica?

CRITICA DO LIVRO: ATÉ O FIM DA QUEDA

Que tal parar pra ler um pouco de literatura nacional fantástica?

SEMANA DO TERROR

Gostosura ou travessura? Essa semana trazemos nada mais nada menos que calafrios de te tremer a espinha. Que tal dar uma olhada em nossas travessuras diárias? Clica vai!

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Review Doctor Who 9x11 – Heaven Sent / 9x12 – Hell Bent




Sorria para mim, vá em frente, Clara Oswald. Sorria para mim uma última vez” – 12º Doctor

Chegamos ao final de uma temporada esplendorosa que nos foi entregue, revelações contundentes sobre os acontecimentos de The Day of The Doctor culminaram nas inúmeras questões que cercavam a mente dos Whovians. Simplicidade é um termo sútil para dizer o quão os roteiristas dessa série sabem nos emocionar e guardar o melhor para o final. Não somente isso, tornar toda uma aventura continuar girando e seguir em frente. Creio que esse seja uma das grandes sacadas do porquê Doctor Who permanece até os dias atuais.
O arco final da nona temporada possui uma linha tênue de construção, direção, diálogos e acontecimentos, que por consequências desembocam em ações. E são essas qualidades que torna esse um dos melhores finais já vistos na Era Moderna. Steven Moffat revisita o script trazendo um personagem, um cenário e um vilão. Simples não? Super intimista, quando o Doutor se encontra sozinho.
Heaven Sent levanta um clima de perseguição, e a direção de Rachel Talalay, que já trabalhou nos capítulos Dark Warter/Death In Heaven colabora para o sucesso desse momento particular de um Time Lord e suas dualidades. Ela coloca a câmera na posição de perseguidora e perseguida. Sob o olhar da câmera, cada corredor vira uma perseguição infinita, um medo sem fim. Uma verdadeira aula de direção.
A chance de se utilizar de elementos visuais aqui fica nítida e bem aplicada. Vale o destaque para a TARDIS que se torna uma metáfora visual para o estado mental do Doutor e Talalay consegue transmitir milhares de pensamentos com apenas uma imagem. A diretora se provou saber trabalhar um épico numa escala mínima. (Espero revê-la em futuros capítulos).
Ao invés de finalizar com um esgotamento dramático, Heaven Sent incorpora os principais temas da temporada. Peter Capaldi apresentou um dos seus melhores momentos vivendo o 12º Doutor, atuação essa digna de prêmios. A equipe de produção está de parabéns pela formulação desse episódio-monólogo bem elaborado. E a trilha sonora de Murray Gold finaliza como o retoque final, insubstituível.
E de uma solidão intimista, daquilo que deveria ser o ‘pré-paraíso dos Time Lords”, o Doutor passa, ardendo de raiva, para o “inferno dos Time Lords”, a Matrix, após sua chegada em Gallifrey. Um presente aos amantes do audiovisual, pelo vislumbre de como essa season finale soube ser absolutamente fantástica.
Toda uma a qualidade no desenvolvimento do roteiro e das inúmeras referências e metalinguagem com a própria série, além de em um segundo plano o roteiro trazer questionamentos metafísico e posicionamentos políticos. Em detrimento da pessoa que o fez se curar, reconhecer o quão poderoso e corajoso é. O Doutor abandona todos os seus códigos e regras, que ele mesmo criou. Mas apenas 5 minutos antes do Universo ser consumido pela ordem natural das coisas, faz ele se dar conta de que havia longe demais. E a ira, o amor e a obstinação dão lugar à rendição e à constatação de que ele seria, de verdade (e juntamente com Clara, como Ashildr/Me havia teorizado) o híbrido, o destruidor.

Todo o gancho sobre o híbrido, que aterrorizava o alto conselho de Gallifrey foi apenas uma manobra do Doutor para o mesmo poder salvar Clara de sua eminente morte, mostrada em Face The Raven. E assim de forma inesperada Clara volta a narrativa, congelada entre seu penúltimo e último batimento cardíaco.



“Memórias se tornam histórias quando nós esquecemos elas, talvez algumas delas se tornem letras de música” – Oswald Clara

A eminencia do Doutor em salva-lá não é nem de longe exacerbada. Desde que foi introduzida na série, em Asylum of the Daleks, a Garota Impossível teve importantes e significativos papéis. Não só ao salvar o Doutor em The Name of the Doctor, como parte de Clara a iniciativa de questionar o Doutor em The Day of the Doctor para salvar Gallifrey.
Amy e Rory são citados com maestria, e o cenário utilizado pelos personagens junto ao anterior 11º Doutor. Pois foi Clara que o trouxe conforto a este Doutor que perdeu seus dois amigos em The Angels Take Manhattan; à pessoa que fez com que ele perseguisse um mistério de identidade e acabasse descobrindo que ela havia se sacrificado e se multiplicado por ele, para salvá-lo; à pessoa que protagonizou seu diálogo com os Time Lords e esteve lá quando suas regenerações esgotadas não eram mais um problema; à pessoa que lutou contra a estranheza da mudança e tentou aceita-lo em seu novo corpo; à pessoa que, mesmo que comum passou por um tremendo conflito moral, o acompanhou e acabou se tornando com ele, formando um híbrido de humana e Time Lord (em uma das interpretações do termo) ou permitindo que ele agisse como um híbrido, em resumo, aquele que “traz a destruição”.
Remodelar a morte de Clara (que sim, agora é uma espécie de zumbi e sim, vai voltar para o Corvo um dia, mas pelo visto ainda vai viajar muito ao lado de Ashildr/Me, quase como uma extensão do papel do Doutor que ele sabia interpretar tão bem…Clara Who?!)
Temos a presença do celeiro, lugar onde marcou a infância do Doutor, como vimos em Listen. Durante a Time War, o War Doctor se utilizou do celeiro como local de preparação para a execução de Gallifrey através da arma Moment, como visto em The Day of the Doctor. Em Hell Bent, logo após se libertar da prisão que Rassilon o colocou (seu próprio Disco de Confissão), o Doutor ruma direto para o celeiro.
Mas não há como negar que o destaque do episódio são as atuações de Peter Capaldi, Jenna Coleman, Maisie Willians e a participação mais que especial de Donal Sumpter como Rassilon, que já participou de Doctor Who em 1968 no arco The Wheel in Space e posteriormente em 1972 no arco The Sea Deavils. Maisie Willians se mostra uma atriz muito madura para sua idade, conseguindo passar as diferenças psicológicas que sua personagem sofre ao longo dos séculos em olhares e trejeitos mínimos, mas soando totalmente diferente em suas várias aparições pela temporada.
Peter Capaldi e Jenna Coleman mostram todas suas raízes dramáticas teatrais no momento final em uma interessante referência ao 10° Doutor e Donna, só que as avessas, sendo desta vez o Doutor o afetado e perdendo sua memória sobre a existência de Clara. Vale a lembrança de dois pontos: um deles é a Tardis onde Clara e Ashildr/Me estão viajando, referenciando a série clássica em sua forma mais genuína. E o segundo ponto vemos a Clara Who revertendo a polaridade do fluxo de nêutrons como o 3º Doutor.


No mais fica minha salva de palmas a esse arco finalizador bem elaborado, não poderia pedir por algo melhor. Referenciando o Velho Oeste Clássico, não teve como não lembrar de filmes como “Por um Punhado de Dólares a Mais” e mesmo de “Matar ou Morrer”. Ao longo do capítulo fica evidente a relação entre as classes sociais em Gallifrey, a conturbada relação do Doutor com os Time Lords e a sempre perturbadora ação dos mesmos em relação a quase tudo ao seu redor recebendo imenso tratamento dramático, fazendo desse final uma excelente homenagem televisiva ao homem solitário que eventualmente possui um companheiro ou uma companheira ao longo do caminho, mas que por diversos motivos sempre acaba sozinho, tentando salvar alguma coisa que ele não sabe exatamente o quê e, ao menos a curto prazo, para quê. Exatamente como os pistoleiros do Velho Oeste, só que ao final, ao invés de cavalos perdidos a um pôr do sol silencioso, temos duas TARDISes cruzando o espaço e tempo. Um final digníssimo para uma temporada primorosa que foi esta.

sábado, 28 de novembro de 2015

Review Doctor Who 9x10 – Face The Raven

 

Sei que vai magoá-lo, mas por favor…orgulhe-se um pouco de mim” – Oswald Clara

Despedidas são pratos cheios de emoção, agústia, saudade, ira e temor; um verdadeiro mix de sentimentos. Mas em Doctor Who essas mesmas despedidas podem ser acaradas como atos de coragem, não necessariamente de sacrifício, mas como um ato de respeito ao desejo de um personagem sobre aquilo que acredita como correto.
Clara Oswald certamente deixou sua marca como companion ao lado do 12º doutor, que graças a esta deixou um legado importante na memória do senhor de tempo habitante de Gallifrey. Em Face The Raven temos uma discussão sobre a ordem e o direito de se caminhar pelas ruas. Em outras palavras, o direito de viver custa caro se você desobedece às normas. A roteirista de primeira viagem, Sarah Dollard possui uma forma simplista ao vender a ideia imediatista de que a morte chega para todos. E bate o martelo afirmando que “no fim todos enfrentam a morte sozinhos”.
O capítulo foi montado para deixar rastros do seu início ao fim, e que seus personagens retornarão eventualmente. Ashildr certamente despertou o monstro do doutor ao praticar sua política ilícita. O que deixa a possibilidade enorme que ela retornará num futuro da série. No fim, permanece o questionamento de quem são “Eles”, as pessoas/criaturas que fizeram um acordo com Ashildr e solicitaram o teletransporte do Doutor a um local misterioso.
Temos aqui um típico caso de reaproveitamento de um personagem já salvo recentemente pelo Doutor que vemos surgir com problemas. A roteirista Sarah Dollard de fato foi meticulosa ao levantar determinadas ações tanto do Doutor quanto de Clara, nos dando lances de como eles eram nos meados da 8º temporada, abrindo inúmeras portas a um Universo Expandido. Com uma proposta sem muitas explicações detalhadas, temos Rigsy em perigo por ter cometido um crime nas últimas 24 horas, sem mesmo saber ter cometido tal ação. Rapidamente o episódio se constrói numa corrida contra o tempo à procura pela rua misteriosa que fica no Centro de Londres.
A fotografia foi importantíssima aqui, elaborando uma atmosfera aventuresca em seu primeiro momento nas cenas durante do dia, à uma paleta entre azul e o amarelo para passarmos a noite, com o natural escurecimento proposital aumento de contraste na imagem, em uma espécie de hiper-realidade onde a tragédia virá a ocorrer.
Em um segundo plano, o uso do corvo é um interessante trabalho de metalinguagem que o roteiro propõe com as origens nórdicas de Ashirld, que não à toa, está ligada ao corvo pelas Sombras de Quantum. Vale ressaltar que na mitologia nórdica, os corvos eram associados ao deus supremo, Odin. O capítulo é entregue de bandeja para os telespectadores para que fique evidente o simbolismo do momento.
A todo momento os diálogos sabiamente brincam com vida e morte, paz e guerra. ‘Homem bom’ para ‘homem mau’, persona que remete relances do que um dia já foi o Doutor da Guerra, antes esquecido pelo próprio senhor do tempo. O ritmo na direção de Justin Molotnikov (mesmo que dirigiu o controverso Sleep No More) é essencial para facilitar nosso entendimento. Ele vai de meio hiberbólico a um final urgente pela contagem regressiva da tatuagem que sentencia a morte, mas que nem nós nem o Doutor queremos que chegue.
O fato é que desde do primeiro diálogo do capitulo dos aventureiros sobre sua mais recente conquista. Simbolicamente um jardim, que lembra proteção e alegria ou de contemplação, introspecção e preparo para a morte. A passagem desse cenário a uma rua-armadilha demonstra a mudança de estágio de uma vida para outra (segundo o pensamento Medieval, da Cidade de baixo para a Cidade de cima era praticamente uma sentença de morte). O Corvo, símbolo dos maus presságios e um dos motivos primordiais da “Grande Obra” da Alquimia (sendo isso de valor para uma temporada onde a transformação de um Híbrido é esperada) torna tudo ainda mais instigante e audacioso. A Sombra Quântica obtém ares mitológicos e sci-fi a partir desse uso inteligente do símbolo com os elementos básicos da série.
Então nos despedimos da Garota Impossível, que antes viera a ser apresentada em Asylum of Daleks, que nunca deixou de lutar pela cura interior do nosso adorado Doutor. Aqui tivemos a vitória pela simplicidade do contexto, em um último Adeus a Jenna Coleman.

E agora é respirar fundo para Heaven Sent que trará um Time Lord cheio de ira e sozinho. E bem sabemos as consequências de quando sua persona permanece sem uma companion ao seu lado. A tensão toma conta nesses últimos dois episódios da 9º temporada que trará um desfecho eletrizante e o possível retorno de Gallifrey. Será?

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Review Doctor Who 9x09 – Sleep No More



No nono episódio o escritor Mark Gatis trouxe um ritmo completamente distinto, no qual a temporada vinha apresentando. Enquanto até o momento tivemos arcos compactuados, com seus respectivos desenvolvimentos de personagem em Sleep No More vemos que os casos da semana não dormem quando o assunto é Doctor Who.
Em uma ousada trama horripilante numa base espacial em Netuno vemos o Doutor e Clara encarar Sandman de Neil Gaiman ou quase isso. No século 38 a máquina Morfeus criada pelo cientista Rassmussen, acaba sendo a origem de toda uma questão sobre o abuso de poder. Essa máquina provoca alterações químicas no cérebro, além de, conseguir proporcionar ao indivíduo toda a experiência e benefícios de uma noite de sono em apenas 5 minutos.
A narrativa envolvida pelo terror do found footage, faz acima de tudo uma crítica sobre o poder e a influência das grandes corporações no modo de vida da humanidade, para que em segundo plano tornar-se-á um verdadeiro ensaio sobre metalinguagem ao próprio ato da criação artística.
A direção de Justin Molotnikov consegue ser eficiente ao manter o clima de suspense e tensão. Traz de forma moderna uma ponte com The Ark In Space e por tabela, com o longa Alien, o Oitavo Passageiro, e a citação da ‘Grande Catástrofe’, que ocorreu pela primeira vez em Frontios (1984) na quinta reencarnação do Doutor. A direção primeiramente ganha pontos pela linguagem visual escolhida, ao ter durante todo o episódio a trama contada através de planos subjetivos do ponto de vista dos personagens, com falhas de sinais e recortes de câmeras de vigilâncias. A palheta de cores frias e na sua maioria azulada contribui não só para o clima futurista que a narrativa pede, como também ajuda manter o clima de angústia.
O capítulo procura flertar com uma proposta experimental da câmera na mão, sob perspectiva de cada personagem. E a partir do clímax, o final “em aberto” torna o roteiro mais rico trazendo à tona um diferente tipo de interação entre expectador e obra audiovisual. A partir da bagagem cultural, social, política e religiosa de cada indivíduo uma nova e diferente leitura para a obra poderá ser proposta o que eleva o nível da discussão.
Um dos pontos altos do episódio está na riqueza ao citar o segundo ato de Macbeth de Shakspeare e a famosa gag da segunda encarnação do Doutor. Destaque para atriz Bethany Black, que vive a personagem 474, e já fez história sendo a primeira atriz transsexual em Doctor Who.
A verdade é que Justin Molotnikov transforma o texto de Gatiss em uma história sobre como fazer uma história. Com um caso natural em que se encontram o Doutor e sua companion, o mesmo cumpre seu propósito básico, com uma trama deslocada da sequência. E para os fãs de games de tiro em primeira pessoa, esse episódio ganha pontos por ter tal elemento na hora da ação, nos impedindo de ficarmos entediados.

Aos expectadores que apreciam roteiros límpidos e meticulosamente explicados não se apegarão a Sleep No More. E certamente o julgarão como um capítulo mais fraco, se duvidar o mais fraco da temporada até o momento, entretanto, ao explorar o gênero found footage com perspicácia pôde-se extrair mais de um caso da semana, do que normalmente o mesmo faria. Ao invés de apenas contar a história, terminamos com aquela dúvida se o que realmente ocorreu é real.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Review Doctor Who 9x08 – The Zygon Inversion




Nem todos os caminhos levam a um bom episódio, mas todo excelente capítulo que se preze deve possuir um bom discurso. Em Zygon Inverson vemos a magnificência do Doutor no retorno de seus tocantes e realísticos discursos sobre o bem, o mal, o perdão e o amor ao próximo. Delicadamente bem trabalhado em seus detalhes de estrutura narrativa o oitavo episódio veio para trazer uma lágrima, ou algumas (se você for emotivo como eu).
Escrito por Peter Harness em parceria com o showrunner Steven Moffat, o episódio da semana traz uma excelente conclusão ao arco, sem esquecer as discussões inicializadas sobre política e identidade de gênero, acrescentando ainda o emponderamento feminino e mostrando as diretrizes de um pacifista. Com o caos implantado no capítulo passado, agora vemos uma exímia diminuição sob esse aspecto da direção de Daniel Nettheim, o mesmo através das paletas de cores em tons azuis e da trilha sonora o clima de espionagem e militarismo bélico, sendo reforçado pelos figurinos escuros e a aparição de bazucas e ogivas nucleares.
Um dos pontos mais bem-sucedidos da trama nesse ponto, fora o discurso do Doutor, é a forma única como o roteiro trabalha na ligação de Clara com seu outro eu (Zygon), que se intitula como Bonnie. Destaque para Jenna Colemman por estar visceral. Pelas nuncias do seus olhares, postura, modo de andar e tons de voz, o expectador consegue facilmente diferenciar qual é a Clara que está em cena e qual é a Zygon disfarçada.
Vale pontuar aqui, que a 9º temporada vem sendo claramente um mergulho em situações extremas, mortais, e mais perigosas do que normalmente o lorde do tempo e sua companion estão acostumados a lidar. Fora o fato das tramas trazerem consigo fortes composições realistas, de forma a temer pelos personagens e digerir, compassadamente, a “crônica da morte anunciada” que parece permear todo o corpus dessa temporada, que finalizará com a despedida já declarada de Clara.
Outro esplêndido ponto está nas atrizes a já citada Clara, mas também em Osggod e Kate que são personagens que brilham, tomando não só suas próprias ações, como também a resolução dos conflitos, cabendo ao Doutor apenas o papel de diplomata entre as ações.
O conflito interminável possui uma justificativa bastante coerente – novamente aqui o Doutor se recorda da Guerra do Tempo e mesmo que ele tenha a memória nítida de que conseguiu salvar seu povo, suas ações nesta guerra o marcaram de forma muito forte, lembranças que talvez sejam ainda mais dolorosas após 900 anos em defesa de um planeta em The Time of the Doctor. O fato da dupla Osgood Boxes possuir o mesmo desenho da arma Moment, sem mencionar o fato de estarmos diante de uma grande crise na Terra traz tanta emoção tendo em vista o histórico do Doutor nesse instante, que o impacto com o público é grande. Pois sabemos o peso que teve a Time War e paralelo que isso pode ter, dadas as devidas proporções para a humanidade no contexto do arco.
Apesar da minha opinião sobre considerar o capítulo 2 The Witch’s Familiar um excelente episódio, é inegável o quão bem escrito e excelentemente bem dirigido foi The Zygon Invasion/The Zygon Inversion. A dispor-se de tratar de diversas camadas políticas em seu enredo com um discurso e temática perfeitamente interconectados entre os eventos que hoje marcam toda a Europa e o Oriente Médio (Estado Islâmico e Israel X Palestina) principalmente, tal qual a onda de imigrantes e refugiados no velho Continente. E com isso o fortalecimento de grupos separatistas; os grupos políticos marrons e sua ideia de purificação da população na Europa.

Um dos melhores arcos, sem dúvida da Nova Série a discutir sobre identidade, pacifismo e antibelicismo em toda trajetória de Doctor Who. Provando da diplomacia de um herói que não usa poderes ou os punhos e ainda assim consegue salvar o dia apenas usando da ciência e diplomacia.

sábado, 7 de novembro de 2015

Review Doctor Who S9x07 – The Zygon Invasion


Como fazer um mix entre a ficção-científica e temas polêmicos da sociedade? Em uma trama distinta das anteriores, Harnes, o roteirista encarregado desse arco é conhecido pela polêmica em seus episódios. Já estamos familiarizados com Kill the Moon na oitava temporada, onde ele se utilizou do sci-fi para dialogar sobre o aborto.
Bem duas coisas precisam ficar claras, a primeira delas é que para entender este capítulo é necessário ter assistido Death in Heaven e The Day of The Doctor, obrigatoriamente, se realmente quiser entender o que está ocorrendo. Segundo, The Zygon Invasion discute sobre a atual crise da imigração, terrorismo e paralelamente sobre identidade de gênero e reconhecimento enquanto indivíduo.
Temos aqui nosso caso UNIT da temporada, como não poderia faltar, quando após os acontecimentos em Day of The Doctor, os humanos são representados pela mesma. Com um devido tratado de paz formado com os Zygons. Seres metamorfos que tiveram seu planeta natal destruído pela guerra do tempo, portanto permaneceram sem pátria, com isso refugiaram-se na Terra.
Agora entra o nome Operação Duplo, uma operação secreta, fora das ações normais da UNIT, para reassentar e realojar uma raça alienígena sem segredo no Planeta Terra. O tratado de paz impõe que 20 milhões de Zygons possam assumir a forma humana e viver pacificamente entre nós. No entanto, isso leva os metamorfos a renegarem algumas de suas características naturais.
Quando temos a presença da UNIT em Doctor Who, espere um episódio voltado para política, diplomacia e acima de tudo, uma crítica social, o que é o caso. O fato de um grupo separatista de Zygons ter sido formado e sequestrado Osgood é uma clara indicação de infração a um acordo de paz. Pode-se observar como o roteiro é desenvolvido em camadas, acompanhado pela direção do australiano Daniel Nettheim, que foi capaz de nos imergir neste universo diplomático. Através de câmeras de vigilância, a linguagem em vídeo amador, onde há pouca iluminação, sem mencionar a logo própria criada pelo grupo extremista.
O tipo de direção deixa perceptível como o diretor se baseou nos vídeos dos jornalistas ingleses, reféns de grupos extremistas islâmicos. O que traz uma tonalidade bem realista nesse arco da série. Explorando da tensão nos diálogos, e cenas misteriosas, onde a câmera possui um corte preciso, criando um clima de paranoia.
Falando em paranoia, ao optar pelo uso na câmera na mão na cena, onde soldados da UNIT cercam uma igreja, quando acontece um dos diálogos mais tocantes do episódio, por mais que imaginemos como essa cena irá terminar, a mesma não deixa de transmitir a verdadeira sensação de estar numa guerra. O enredo se expande quando os personagens se dividem em pequenos grupos, quando três focos narrativos são formados em três locais distintos. Kate, na cidade do Novo México, no EUA. Clara e uma certa parte da UNIT em Londres e o Doutor no Turcomenistão, país que faz fronteira com o Afeganistão e Cazaquistão.
Torna-se acentuado o tema terrorismo, que ao mesmo tempo acentua seres imigrantes no nosso planeta, escondendo um discurso sobre aceitação de identidade. Esse discurso está presente não só na justificativa dos Zygons extremistas, que chegam a matar até os da sua própria raça que vão contra as suas ideologias, como também está presente na conversa entre Osgood e o Doutor.
Quanto ao trabalho sonoro, Murray Gold não deixa de nos surpreender, com sonoridades nas cenas mais suspeitas, onde se indaga a todo momento se a pessoa ao seu lado é humana ou um Zygon infiltrado. No quisito atuação Ingrid Oliver, que vive Osgood, traz consigo nuances de uma pacifista quando ela mesma explica ao Doutor que é ofensivo perguntar se ela é Humana ou um Zygon, e que não há mal nenhum nela se sentir como os dois seres. Isso levanta novamente a questão de seres híbridos, na qual permeia essa nona temporada.
Aos whovians que já acompanharam a série clássica ficou evidente a metalinguagem que enriqueceu esse episódio fortemente. Sendo com William Hartwell (o primeiro Doutor) aparecendo em um quadro como easter egg. Ou mesmo o capítulo como um todo referenciar Terror of Zygons da série clássica com Tom Baker (quarto doutor). Além de pequenas referências aos audiodramas, sendo a Casa Segura da UNIT uma possível referência a casa do próprio Doutor mencionada nos áudios produzidos pela Big Finish.

No fim das contas, The Zygon Invasion é mais um excelente episódio da nona temporada seguindo a boa sequência de qualidade que a temporada vem nos proporcionando. Com um DNA educacional, mas que não engana ao demonstrar que cresceu em detrimento a tratar de temas contemporâneos de modo preciso, e sem exageros.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Review Doctor Who S9x06 – The Girl Who Lived



Ah a imortalidade, uma luxúria, uma tristeza, uma lástima, um drible na morte. Se você vence a morte, existe algo mais pelo que lutar? Se viver é só mais um artifício. Nessa segunda parte do arco de Ashildr (Maisie Williams) vemos mais uma sequência de qualidade nos episódios dessa temporada, que vem se mostrando não somente com um enorme potencial, mas de fato marcando presença em cada capítulo, esculpindo um Doutor mais reflexivo, e questionamentos tão profundos quanto o espaço sideral.
Assinado pela escritora inglesa Catherine Tregenna, que já assinou episódios para o spin-off Torchwood, bebe diretamente da fonte de textos dramatúrgicos tragicômicos dos palcos ingleses, nos entregando um episódio intrigante. Onde vemos Ashildr, agora imortal tendo vivido 800 anos, encontrando tristeza pelos cantos, e por mais que tentasse ajudar a humanidade da maneira que podia, não parecia suficiente, e que por vezes até taxada de bruxa. A escritora em nenhum momento ignora os fatos do episódio anterior, escrito por Steven Moffat em parceria com Jamie Mathieson. Ele dá continuidade ao dilema dos problemas da imortalidade.
O roteiro foi sábio ao usar o recurso do flashback. E a direção de Ed Bazalgette mais inteligente ainda por mantê-los coloridos, usando uma palheta de cores mais austera para narrar os fatos que aconteceram a Ashirld – que agora atende pela alcunha de ‘Eu’. O roteiro consegue trazer um interessante paralelo de vida e morte ao usar da mitologia grega, travestida de ficção científica ao inserir pontualmente a jóia conhecida como o “Olho de Hades”.
Um dos pontos ousados foi a ausência da companion Clara no capítulo, pois sem a presença de Clara o roteiro de Catherine se permitiu explorar várias perguntas, tanto metafísicamente, sobre a vida e sua duração, como sobre a solidão e importância de se compartilhar momentos. O mais curioso é como a trama envolvendo a relação do Doutor e Ashirld se desenvolve, apesar de ser segundo plano. Porém a psiquê é o verdadeiro personagem, quando o Doctor começa a se enxergar na imortal Ashirld. É nessa dinâmica, que o texto de Catherine Tregenna cria uma atmosfera quase claustrofóbica, sentimo-nos tão presos quanto a própria vinking e aos poucos compreendemos não só o lado do Doutor quanto o dela própria.
No fim das contas, a roteirista resgata a ideia por trás da figura do Time Lord e o porquê dele viajar com humanos, cujas vidas são tão curtas em comparação a sua própria. O amor do Doutor pela vida é colocado mais uma vez a prova e sabiamente Catherine insere Clara nos momentos finais apenas, como um suspiro de alívio para o espectador, que, enfim, enxerga o perigo se colocar dois imortais lado a lado. Pois o ser humano é necessário e somente assim a humanidade do Doutor pode (e deve) ser mantida, do contrário, corre-se risco de se tornar o que a mulher que sobreviveu se tornara. “Aquela que irá cuidar daqueles que Doutor deixar para trás. ”
Outro ponto vai para o ator Ariyon Bakare, que deu vida ao homem-Leão Leandro, também merece destaque. Apesar da maquiagem carregada, ele consegue empossar um personagem imponente e implacável com sua postura e tom de voz. Aos fãs de tokusatsu que assistem Doctor Who, impossível não lembrar do Henshin Hero Lion Man, exibido em terras brasileiras nos anos 70.
As referências e metalinguagem ao universo da série se mantêm presentes, como a citação ao Capitão Jack ou às mais sutis, como quando o Doutor informa Ashildr sobre o Grande Incêndio de Londres, que estava preste a acontecer. Fato provocado por sua quinta encarnação na série clássica.

Então se encerra mais um capítulo da nona temporada de Doctor Who, que segue gloriosa. Sem decair a qualidade nem um milímetro. Deixamos pra trás uma personagem que certamente gostaríamos de rever. Capaldi e Williams ofereceram um verdadeiro show, com uma química que convence, exaltando o talento de ambos os atores. Um arco acima de tudo intimista que soube exatamente onde pisar e se manter na linha.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Review Doctor Who S9x05 – The Girl Who Died



E se você descobrisse que a morte é uma habilidade? Um dom mesmo, como bem ensina o texto bíblico. Talvez um dos grandes dons que a humanidade possui. E algo que é cruelmente negado a um Senhor do Tempo. Ser imortal não é viver para sempre, mas assistir todos a sua volta morrerem. O tema morte mais uma vez bate na porta dessa nona temporada, garantindo que tenhamos uma reflexão mais precisa sobre o termo.
Escrito pelo showrunner Steven Moffat em parceria com Jamie Mathieson, veterano no seriado, além de responsável pelos excelentes episódios Mummy on the Orient Express e Flatine; temos um episódio que estruturalmente é similar a episódios como Robot of Sherwood. E nos traz também nuâncias ao conto do universo expandido em A Lança do Destino, de Marcos Sedwing.
Em The Girl Who Died observamos claramente como o Doutor encara a morte. Uma habilidade. A única que ele não possui, e que, ao que tudo indica, é algo que ele irá perseguir incessantemente até conseguir dominar. E essa busca logo deve se relacionar de algum modo ao disco de testamento mostrado no primeiro episódio, se inicia a partir desse capítulo da longa vida do Senhor do Tempo, que já viveu tantas vidas e já perdeu tempo, com a morte de uma garota viking chamada Ashildr, vivida por Maisie Williams (Game Of Thrones).
Muita expectativa foi gerada em torno da participação de Maisie Williams nessa temporada de Dr. Who. Afinal, teríamos a participação de uma célebre – e talvez a única com cérebro de verdade – Stark e Westeros. As especulações davam conta que ela poderia ser alguém ligada ao passado do Doutor ou mesmo do Mestre. Quando a temporada se iniciou revisitando as origens do Senhor do Tempo, seus antigos inimigos, e sua fuga de Gallifrey, essas especulações ganhavam mais força. Mas nenhuma delas se concretiza nesse episódio.
A situação dramática da “invasão extraterrestre” é amplamente usada no universo Who, o que, em certos momentos da narrativa, nos traz sensações de dejá vu. Percebam que o problema inicial apresentado, a Invasão dos Mire, é facilmente solucionado. O que torna o roteiro de Moffat e Mathieson interessante é como elementos da cultura viking são usados para solucionar o caso.
Contudo, não deixa de ser um episódio que retorna ao passado do Doutor. Questões sobre a fuga de Gallifrey são mais uma vez trazidas à tona e finalmente a referência à primeira participação de Capaldi na série é explicada. Na verdade, trata-se de um dos grandes momentos do episódio. Quando o 12º Doutor surgiu pela primeira vez na temporada passada, ainda um tanto quanto desnorteado, ele se perguntava acerca do porquê de ter escolhido aquele rosto, um rosto familiar. Com mais um daqueles momentos referenciando Doutores anteriores vemos David Tennant, O Décimo Doutor, por um breve minuto dialogando com Donna sua companion sobre salvar uma vida. A princípio parecia ser apenas algum tipo de piada interna, uma referência ao fato de Capaldi ter interpretado um coadjuvante no episódio The Fires of Pompeii. Mas parece que Moffat tinha de fato algo planejado desde antes, que apenas agora veremos se desvelar.
Como já havia citado nas reviews anteriores sobre a maturidade do relacionamento de Clara com o 12º Doutor tem estado cada vez mais orgânica e fluida. Portanto o roteiro deste episódio não perde a chance de dar pinceladas de como a relação entre Clara e o Doutor está mais madura e profunda. Em vários momentos, vemos o Doutor dizer o quanto Clara é importante para ele. De fato, gostando ou não, Clara tem um peso dramático muito importante dentro da série, não só por ser A Garota Impossível, mas é através dela que o roteiro a usa para lembrar ao Doutor o por que ele escolheu aquele rosto, e em uma excelente montagem da direção de Bazalgette, temos referências a Fires of Pompeii e o Doutor se redescobrindo como herói.
Porém, Moffat e Mathieson não nos deixam esquecer que toda ação gera uma reação e, ao salvar Ashilrd, somos novamente apresentados a estrutura de seres híbridos, como em The Witch´s Familiar. Seria esta a ligação para o que poderá acontecer à Clara? Seria uma referência direta ao encontro com Davros no primeiro episódio dessa temporada e à profecia citada por ele envolvendo o já ameaçador “híbrido”? Se a personagem de Maisie Williams, a corajosa garota viking Ashildr, virá a ser a temível criatura da profecia citada por Davros, isso ainda está para ser visto. Mas sem dúvida alguma é uma personagem que tem grande potencial que poderia retornar em outros momentos, talvez até como um novo antagonista, eternamente atormentado pelo agridoce presente que o Doutor lhe concede ao fim do episódio.
Vale lembrar sobre os momentos poéticos, quando, por exemplo o Doutor fala mais uma vez a língua dos bebês. Peter Capaldi, claro, mais uma vez arrebentando na intepretação fazendo de todo o resto do elenco quase que um penduricalho a lhe acompanhar. Além do que, Maisie Williams não está mal. Ela tem também bons momentos e bons diálogos com o Doutor.

Mais uma vez temos um episódio em duas partes, e essa parece ter sido uma ótima ideia dos produtores nessa temporada. Episódios em duas partes ajudam a quebrar a estrutura de “monstros da semana”, e dão espaço para se aprofundar melhor em personagens e a desenvolver melhor boas tramas. Esse episódio, assim, na verdade parece funcionar mais como uma preparação para a sua segunda parte – “The Woman Who Lived” – que promete ser melhor do que a primeira parte em densidade e relevância.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Podcast #18 Por que Assistir Doctor Who



Aqui discutimos sobre o porque Doctor Who, considerada a série mais antiga viva deve ser assistida. Comentamos sobre seus personagens, sugerimos por onde começar e mencionamos algumas curiosidades. Tratamos com cuidado ao falar sobre a série clássica e a moderna. Para tratar melhor o caso, convidamos Freddy Pavão do site Doctor Who Brasil.

Site para conhecer mais o trabalho do nosso amigo Freddy. Nele irá encontrar reviews semanais, episódios para baixar, além de podcasts pertinetes sobre o seriado: http://doctorwhobrasil.com.br/

Link para download: https://mega.nz/#!AA4SmILa!PY0_6Vji9uNpCxsK6eG_BJ4Cizw-xxLCBDqSsOKFYDE


Contato:
Email: sentalaquejavemhistoria@gmail.com
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Facebook: Senta aí que já vem História


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Review Doctor Who S9x04 – Before The Flood



Fantasmas à bordo numa instalação de minério subaquática, nada mais justo para mais um cenário aventuroso para o Doctor e sua companion Clara. Em Under The Lake tivemos a chance de presenciar o desenvolvimento da maturidade em que se encontra a relação do 12º Doutor com Clara, portanto nesse desfecho de arco temos a reflexão sobre a mortalidade.
Toby Whithouse é o homem por trás do roteiro desse arco, o que antes de mais nada é seguro dizer que ele cumpriu o que prometeu no capítulo anterior. Tivemos uma sólida base no drama e personagens que se desenvolveram e foram relevantes do início ao final do arco. Before The Flood conseguiu encerrar de maneira cirúrgica e pontual cada detalhe que abrangeu, interligando os pontos, não obstante, acrescentando alguns que serão utilizados depois.
Uma das maiores conquistas desse arco está na primeira cena deste episódio, onde Peter Capaldi quebra a quarta barreira, dialogando com o público sobre sua estratégia, que um dia fez história. Após viverem uma série de aventuras Clara e o Doutor agora devem procurar entender o que houve antes da inundação. Enquanto Under The Lake foi um capítulo voltado ao quase horror pela ameaça fantasmagórica, Before The Flood possui uma atmosfera sci-fi, quando observamos o Doutor criar uma intervenção na linha temporal. Quando um acontecimento não poderia acabar diferente da forma que começou. Ou seja, temos o famoso Paradoxo de Bootstrap como centro da questão. Em que a pergunta desferida no início do episódio serve de exemplo perfeito para o desenvolver da trama: “Quem, de fato, compôs a 5º Sinfonia de Beethoven? ”
Constituída com bastante competência é notável a dinâmica do elenco para com a conclusão do roteiro. Onde o episódio 4 ocorre antes do episódio 3; entretanto, os eventos do episódio 4 só foram possíveis porque o Doutor os viu acontecendo no episódio 3. Por essa razão a coerência com o exemplo de Beethoven veio tanto a calhar para o meio narrativo.
Volto a pontuar sobre o espaço para a linguagem de sinais, na personagem Cass (Sophie Leigh Stone) oferecendo um papel de respeito. Pois aqui vemos momentos que ela teve sem a presença do tradutor Lunn (Zaqi Ismail). Onde apenas Cass e Clara estão presentes em cena, sem legenda para o que Cass tenta passar como informação. Isso demonstra o lado humanitário que vale a pena ser mencionado, por demonstrar solidariedade e a consciência de que a linguagem dos sinais é uma língua como nenhuma outra. Isso mostra como Doctor Who é uma série sem medida, por esses e outros detalhes que desperta sua magia e interesse do público.
Vale lembrar sobre a participação de Corey Taylor, vocalista da banda Slipknot e Stone Sour, que fez com propriedade o urro do Rei Pescador (Fisher King). Onde temos mais dois papéis, um para um suit actor vestir o figurino da criatura e outro para dublagem da mesma. Em outras palavras, três pessoas para apenas um personagem, o que demonstra a qualidade da equipe de produção. Sem mencionar a cena em que o vilão com seu design bárbaro tem um diálogo com o Doutor, de forma imponente e ameaçadora desferindo frases como: “Você ainda está preso na sua história, ainda protegendo o tempo como um escravo. Disposto a morrer ao invés de mudar uma palavra do futuro. ” Traz uma beleza estética impressionante, tornando este um dos melhores takes do capítulo.

A abertura na versão rock foi outro fator determinante para mais um detalhe que colaborou para um episódio bem dirigido, tremendamente bem escrito, inteligente e ao mesmo tempo um pouco angustiante. Before The Flood deu uma aula sobre cinema, mudando a locação, alternando entre uma fotografia destoante para uma mais sensitiva. Certamente um arco a ser lembrado, pela sua supremacia na forma de construção e finalização. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Review Doctor Who S9x03 – Under The Lake


OBS: Se você não acompanha Doctor Who não leia, pois conterá SPOILERS

Após o arco dos Daleks ter sido ‘concluído’, adentramos em águas desconhecidas. Um capítulo que a primeiro momento não mostra potencial, mas seu desfecho prova seu brilhantismo. Escrito por Toby Whithouse, autor de episódios como: A Town Called Mercy, The God Complex e The Vampires of Venice (todos com Amy e Rory). Vemos Toby cutucar no ponto que diz respeito a identidade do Doutor e o complexo caso da nave alienígena em uma base aquática repleto de fantasmas.
Por mais que o caso envolva o usual termo fantasmas, não se desaponte, pois pode parecer óbvio, mas a grande sacada aqui é se perguntar: O que é um fantasma? Alguém sabe? Bem Doctor Who dessa semana trata de explicar sobre a comunicação dos mortos que não se aplica somente a vida terrena, mas a todo universo e seu espaço sideral.
O thriller da tripulação ‘caçada’ por fantasmas é entusiasmante a ponto de querermos saber o que de fato ocorre/ocorreu naquele lugar. Uma observação em relação a personalidade do 12º Doutor está na nítida cena em que Clara remexe uns cartões de autoajuda, afim de ajudar o velho alienígena a lidar com situações sociais e mostrar mais respeito ao falar sobre morte, ainda mais quando se tem uma delas entre os seus ocorrida recentemente.
A escuridão, a espada, o abandonado e o templo. Coordenadas para o desconhecido passado dos fantasmas, uma cena inteligente que não só explica parte do que se precisa saber, mas ao mesmo tempo levanta ainda mais questões. Como: será mesmo que o piloto da espaçonave alienígena está naquela câmera de animação? E porque o Doctor pressentiu que o piloto não está de fato lá dentro. O que há lá dentro? Respostas ou mais perguntas?
Um adendo sobre a personagem surda é importante de ser dito aqui, que a presença dela nesse elenco foi fantástica, uma verdadeira saída genial. O que sem ela muitas das respostas não seriam respondidas ou sequer começadas a ser perguntadas. O que trouxe ainda mais força para o arco, seus personagens secundários e seus detalhes. Do rapaz que gesticula os sinais da tradução a própria comandante surda.
Quando o grupo se separa, o doutor resolve voltar no tempo para quando pousaram a Tardis na base subaquática. A questão vem ao percebermos que na verdade o doutor deixou tudo na mão de Clara. Ou seja, Whithouse pretende dar mais espaço a personagem em Before The Flood, na continuação do arco que segue na semana que vem.
Visto que tivemos um começo de temporada com os Daleks é possível que eles voltem a assombrar o Doutor ao final desta. E a situação se tornar mesmo pesada, com um drama denso para um trágico final de Clara, que se sabe que vai se despedir. Missy brincou com os sentimentos dela uma vez, pode retornar para terminar o que começou. Quem já está com saudades da sonic screwdriver? Pode falar, glasses are cool but... não tiram o charme e delicadeza da chave sônica. 

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Review Doctor Who S09X02 – The Witch’s Familiar


OBS: Se você não acompanha Doctor Who não leia, pois conterá SPOILERS


Quão devastador pode ser aquilo que é antigo, quanto mais antigo mais perigoso certo? Inicio a review dessa semana com meu lema para esse arco, na qual traz o desfecho da estadia em Skaro, mas como todo começo de temporada algo não resolvido ainda será explicado. Me refiro ao testamento do próprio Doctor, que mais uma vez é citado e aparece em cena.
The Witch’s Familiar possui um ar nostálgico no seu interior, e uma direção ágil, a satisfação de diálogos ainda mais sensíveis do que o normal. Com referências aos Doctors anteriores, mais respectivamente ao quarto e primeiro. O segundo capítulo tem início com Missy dando uma pequena aula sobre o passado do Doctor. Aqui vemos como Steven Moffat não precisou desenhar para explicar a origem da palavra “EXTERMINATE” e porque os Daleks possuem compaixão.
Um dos maiores triunfos do episódio está no uso do tempo em cena dos personagens e as saídas encontradas para solucionar o caso. O uso dos restos mortais dos Daleks foi um dos pontos interessantes, demonstrando mais agilidade na direção de Hettie Macdonald. A peculiaridade em sua condução passa a sensação de que estamos assistindo uma conversa longa sendo cortada aos poucos para ser reproduzida do ponto de vista de todos os interlocutores. Dessa forma, o roteiro satisfaz a julgar pela forma orgânica ao trabalhar com simplicidade e complexidades estéticas, de modo a nunca deixar o espectador exausto.
A sensível cena entre Davros e Doctor chega a ser fraternal, pois emociona e compadece o coração. O que ficou claro é a tal “falha de caráter dos Daleks” que Davros não conseguiu tirar, agora tem uma origem, e essa se chama 12º Doctor. Algo previsível se prestarmos atenção na seguinte frase: “Davros made the Daleks, but who made Davros?”. Pode-se concluir que a nona temporada veio para trazer um novo status ao elenco, com atuações memoráveis logo nesse começo. Principalmente Missy, que se mostra ainda mais cruel e intrusiva do que nunca. Em uma cena que ela convence Clara a entrar dentro de um Dalek, que lembra bastante o primeiro encontro do Doctor com os Dalkes na série clássica pelo 1º Doutor, quando ocorre algo semelhante.
Sobre a sonic screwdriver, e a “tecnologia vestível” em forma de óculos escuros, devemos ter um hiatus da chave sônica de fato, mas de certo, que a arma mais carismática do viajante do tempo irá retornar.

No mais a precisão exterminadora no roteiro de Moffat nesse primeiro arco marca uma nova fase aos maiores vilões do seriado, além de uma nova gênese. Tratando com respeito e fazendo jus ao caminho que o Doctor tem percorrido desde The Day of the Doctor, e principalmente após os 900 anos que ele passou protegendo Trenzalore. Sem mencionar, as milhares de lembranças de Gallifrey e o questionamento vindo de Davros sobre o motivo pela qual o Doutor deixou seu planeta natal; tornam mais evidentes as possibilidades para o futuro, o que pode vir a adição de Gallifrey novamente a série, ou das coisas relacionadas ao planeta.

domingo, 20 de setembro de 2015

Review Doctor Who S09X01 – The Magician’s Apprentice


OBS: Se você não acompanha Doctor Who não leia, pois conterá SPOILERS

Todos se não conhecem já ouviram falar em Doctor Who, senão por amigos que curtem a série ou por ela estar disponível no Netflix agora, como meio fácil de encontrá-la. Bem, estarei analisando semanalmente os episódios da nona temporada do seriado que teve início esse fim de semana.
Desde que Peter Capaldi assumiu o manto do personagem temos acompanhado um Doctor mais atormentado e um pouco amargo com tudo e todos. Mas que ao longo da oitava temporada ao lado de sua companion Clara (Jenna Coleman) foi capaz de se sentir mais vivo do que nunca e deixar um pouco dessa amargura de lado, afim de se aventurar pelo universo. Dito isso, a nona temporada adentra em uma fase complexa da vida do viajante mais antigo do universo. Steven Moffat (diretor e roteirista) começou a jogar um jogo perigoso nesse início, que vai além das referências usuais a personagens anteriores.
O capítulo tem origem em uma guerra, mas não em qualquer guerra, mas uma muita antiga. Essa na qual ocorreu ao Doctor ter de tomar uma decisão que mudaria o curso do universo. Salvar ou não a vida de um garoto. Aqui vemos algo comum na série, que implica no conceito da simplicidade das situações em que o protagonista é posto, mas a magia do roteiro em esconder as coisas mais grandiosas em pequenos detalhes do tempo.
Quando aviões em todo mundo congelam sem razão nenhuma, Clara se mostra mais ativa a ação do que nunca e se junta a UNIT para ver se estamos diante de mais uma invasão alienígena. A dinâmica entre a companion e as agentes da UNIT estão ainda mais estabelecidas, isso fica nítido pelos diálogos. Seja pelo professor que afirma que Clara está sendo chamada e não a guarda nacional. Ou mesmo quando uma das agentes faz uma piada sobre séries do gênero Sici-Fi, algo que certamente ficou bem colocado.
Acredito que os fãs whovians esperavam pelo retorno de Michelle Gomez como Missy The Master nessa temporada, mas não esperavam ser tão rápido. Se tem algo que a personagem tem incomum com Doctor é que ambos amam fazer uma entrada magnífica, são Timelords afinal de contas. Missy está de volta e com um testemunho do Doctor que abrirá apenas quando ele estiver morto. A sensação de arco de final de temporada logo nesse primeiro momento foi importante para estabelecer o perigo eminente.
A extravagância do doutor provou-se bem sólida, munido de óculos escuros e uma guitarra ele festejava sua liberdade e perdia a noção do tempo desaparecendo cada vez mais da realidade. Clara quase não o reconhece quando o encontra. Até que somos formalmente introduzidos ao novo personagem, Snarff uma criatura comprimida em cobras. Dois pontos importantes sobre esse personagem. 1 – Seu formato real em uma cobra foi uma surpresa. 2 – Um vilão democrático, como ele mesmo afirma ao exercer os direitos iguais a todos a quem faz o mal. (Algo me diz que ele será reaproveitado muito bem no futuro da série)
Sobre os cenários, vimos diversos planetas nesse início de temporada, mas para os fãs sabe-se que todos são lugares que o Doctor já esteve antes, seja na série atual ou na clássica. Como Maldovarium e Proclamação das sombras. Falando em clássico o episódio proporcionou um excelente diálogo entre Doctor e Davros. Além de implantar pequenos cortes dos Doctors anteriores que podiam ser vistos através de uma tela um pouco afastada da câmera, mas suficientemente de fácil entendimento, onde pudemos ver o segundo doutor, o sexto, o sétimo, décimo e finalmente ao memorável episódio da ”Gênesis of The Daleks” com o quarto doutor, vivido pelo ator Tom Baker.
Se a quantidade de referências não foi o bastante, o que dizer da ousadia na roteirização. Moffat não poupou esforços ao demonstrar o quão ameaçador é o momento. Deixando qualquer expectador boquiaberto, ao observar a falta de esperança e o quão o doutor se sentiu pressionado, mas principalmente arrependido. Pelas últimas cenas do capítulo ficou claro que é possível que veremos o Doctor tendo uma reação em cadeia por meio da raiva que ele guarda em seu interior. Quem sabe algo similar ao que vimos com David Tennant quando décimo ao que pode acontecer com ele quando fica muito tempo sem uma companion.  

No fim das contas, “The Magician’s Apprentice” trouxe a realidade de forma atormentadora. E o quão devastador pode ser aquilo que é antigo, quanto mais antigo mais perigoso certo? Será meu lema para esse arco, que promete trazer consequências irreparáveis ao universo de Doctor Who que conhecemos.

domingo, 13 de setembro de 2015

Crítica do livro "O prisioneiro dos Daleks"

Que Doctor Who é uma das sagas que mais consegue expandir (e bem) seu universo, já não é algo desconhecido. Agora, o grande problema eram esses livros, quadrinhos, filmes dentre outras coisas chegarem no público brasileiro. Felizmente a editora Suma das Letras realizou esse trabalho, para a alegria dos whovians brasileiros.
“O prisioneiro dos Daleks” conta a estória da expansão do império Dalek e as batalhas que começam a eclodir em todo o mundo. Assim, dentro de uma dessas batalhas, o Doctor se vê junto com um grupo de caçadores de recompensa na linha de frente da luta. Com a ajuda desse, os caçadores conseguem capturar um desses Daleks, vivo e pronto para ser interrogado. O problema é que o jogo acaba virando e todos se tornam prisioneiros da espécie com maior rivalidade com os senhores do tempo.
 Pelo lado positivo, se deve começar pela ótima escrita de Trevor Baxendale. O autor do livro consegue colocar uma linguagem bem fácil, leve e direta. A personalidade do 10º Doctor transferida pelas palavras também é um grande diferencial para o excelente andamento da narrativa. Os personagens secundários adicionados, principalmente os caçadores de recompensa, tem seu desenvolvimento bem realizado. A preocupação no bem-estar de todos após se tornarem prisioneiros é muito bem transportada para o leitor. Seguindo, é uma ótima estória de introdução no universo de Doctor Who. Ela funciona como um “caso da semana” e não é nada complexa. Da mitologia do personagem, só é possível detectar os elementos mais básicos (a Tardis, a sonic screwdriver, a roupa), o que facilita para um iniciante. Por último, a personalidade dos Daleks que aparecem nesse exemplar é bem interessante. Lembrando sempre algo em comum, mas todos parecendo um pouco diferentes dos outros, cada um com sua “individualidade”.
 Pelo lado negativo, é interessante relatar a fácil conclusão do texto. A estória segue num estilo que poderia ser um pouco mais interessante do que o esperado, mas acaba sendo um pouco menos. Talvez o roteiro funcionasse melhor num episódio para a série. Seguindo com alguns andamentos das situações mal explicados, que atrapalham bastante aos leitores mais atentos, mas nada que mude absurdamente a opinião sobre a narrativa.
 A edição da Suma de Letras é muito bem realizada. A tradução de Camila Fernandes está fantástica e a revisão também muito bem-feita, sem nenhum erro de português. A formatação das letras na obra também é sensacional, com grande destaque para a escolha de uma letra mais garrafal e incisiva para a fala dos Daleks. O maior erro da edição vem por conta da capa escolhida. Claro que tem todo o diferencial de um fã da série passando em uma livraria poder comprar, mas poderiam ter escolhido uma melhor. A capa é bem feia e não chama atenção para um leitor não conhecedor do seriado.
“O prisioneiro dos Daleks” não é a melhor estória, nem o melhor livro de Doctor Who. Ele possui um desenvolvimento bem interessante e alguns pontos bem positivos, mas peca feio nos seus momentos finais, algo que desagrada também em alguns episódios da série. Apesar disso, é uma ótima estória para os fãs e uma bela introdução da série para qualquer um.

Nota: 7,3/10
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