REVIEW DOCTOR WHO S09E05 - THE GIRL WHO DIED

E se você descobrisse que a morte é uma habilidade?

PODCAST #18 - POR QUE ASSISTIR DOCTOR WHO ♥

Aqui discutimos sobre o porque Doctor Who, considerada a série mais antiga viva deve ser assistida. Vamos ouvir?

CRÍTICA AO FILME: PERDIDO EM MARTE

Que tal dar uma espiada na nossa mais nova crítica?

CRITICA DO LIVRO: ATÉ O FIM DA QUEDA

Que tal parar pra ler um pouco de literatura nacional fantástica?

SEMANA DO TERROR

Gostosura ou travessura? Essa semana trazemos nada mais nada menos que calafrios de te tremer a espinha. Que tal dar uma olhada em nossas travessuras diárias? Clica vai!

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Review Doctor Who 9x11 – Heaven Sent / 9x12 – Hell Bent




Sorria para mim, vá em frente, Clara Oswald. Sorria para mim uma última vez” – 12º Doctor

Chegamos ao final de uma temporada esplendorosa que nos foi entregue, revelações contundentes sobre os acontecimentos de The Day of The Doctor culminaram nas inúmeras questões que cercavam a mente dos Whovians. Simplicidade é um termo sútil para dizer o quão os roteiristas dessa série sabem nos emocionar e guardar o melhor para o final. Não somente isso, tornar toda uma aventura continuar girando e seguir em frente. Creio que esse seja uma das grandes sacadas do porquê Doctor Who permanece até os dias atuais.
O arco final da nona temporada possui uma linha tênue de construção, direção, diálogos e acontecimentos, que por consequências desembocam em ações. E são essas qualidades que torna esse um dos melhores finais já vistos na Era Moderna. Steven Moffat revisita o script trazendo um personagem, um cenário e um vilão. Simples não? Super intimista, quando o Doutor se encontra sozinho.
Heaven Sent levanta um clima de perseguição, e a direção de Rachel Talalay, que já trabalhou nos capítulos Dark Warter/Death In Heaven colabora para o sucesso desse momento particular de um Time Lord e suas dualidades. Ela coloca a câmera na posição de perseguidora e perseguida. Sob o olhar da câmera, cada corredor vira uma perseguição infinita, um medo sem fim. Uma verdadeira aula de direção.
A chance de se utilizar de elementos visuais aqui fica nítida e bem aplicada. Vale o destaque para a TARDIS que se torna uma metáfora visual para o estado mental do Doutor e Talalay consegue transmitir milhares de pensamentos com apenas uma imagem. A diretora se provou saber trabalhar um épico numa escala mínima. (Espero revê-la em futuros capítulos).
Ao invés de finalizar com um esgotamento dramático, Heaven Sent incorpora os principais temas da temporada. Peter Capaldi apresentou um dos seus melhores momentos vivendo o 12º Doutor, atuação essa digna de prêmios. A equipe de produção está de parabéns pela formulação desse episódio-monólogo bem elaborado. E a trilha sonora de Murray Gold finaliza como o retoque final, insubstituível.
E de uma solidão intimista, daquilo que deveria ser o ‘pré-paraíso dos Time Lords”, o Doutor passa, ardendo de raiva, para o “inferno dos Time Lords”, a Matrix, após sua chegada em Gallifrey. Um presente aos amantes do audiovisual, pelo vislumbre de como essa season finale soube ser absolutamente fantástica.
Toda uma a qualidade no desenvolvimento do roteiro e das inúmeras referências e metalinguagem com a própria série, além de em um segundo plano o roteiro trazer questionamentos metafísico e posicionamentos políticos. Em detrimento da pessoa que o fez se curar, reconhecer o quão poderoso e corajoso é. O Doutor abandona todos os seus códigos e regras, que ele mesmo criou. Mas apenas 5 minutos antes do Universo ser consumido pela ordem natural das coisas, faz ele se dar conta de que havia longe demais. E a ira, o amor e a obstinação dão lugar à rendição e à constatação de que ele seria, de verdade (e juntamente com Clara, como Ashildr/Me havia teorizado) o híbrido, o destruidor.

Todo o gancho sobre o híbrido, que aterrorizava o alto conselho de Gallifrey foi apenas uma manobra do Doutor para o mesmo poder salvar Clara de sua eminente morte, mostrada em Face The Raven. E assim de forma inesperada Clara volta a narrativa, congelada entre seu penúltimo e último batimento cardíaco.



“Memórias se tornam histórias quando nós esquecemos elas, talvez algumas delas se tornem letras de música” – Oswald Clara

A eminencia do Doutor em salva-lá não é nem de longe exacerbada. Desde que foi introduzida na série, em Asylum of the Daleks, a Garota Impossível teve importantes e significativos papéis. Não só ao salvar o Doutor em The Name of the Doctor, como parte de Clara a iniciativa de questionar o Doutor em The Day of the Doctor para salvar Gallifrey.
Amy e Rory são citados com maestria, e o cenário utilizado pelos personagens junto ao anterior 11º Doutor. Pois foi Clara que o trouxe conforto a este Doutor que perdeu seus dois amigos em The Angels Take Manhattan; à pessoa que fez com que ele perseguisse um mistério de identidade e acabasse descobrindo que ela havia se sacrificado e se multiplicado por ele, para salvá-lo; à pessoa que protagonizou seu diálogo com os Time Lords e esteve lá quando suas regenerações esgotadas não eram mais um problema; à pessoa que lutou contra a estranheza da mudança e tentou aceita-lo em seu novo corpo; à pessoa que, mesmo que comum passou por um tremendo conflito moral, o acompanhou e acabou se tornando com ele, formando um híbrido de humana e Time Lord (em uma das interpretações do termo) ou permitindo que ele agisse como um híbrido, em resumo, aquele que “traz a destruição”.
Remodelar a morte de Clara (que sim, agora é uma espécie de zumbi e sim, vai voltar para o Corvo um dia, mas pelo visto ainda vai viajar muito ao lado de Ashildr/Me, quase como uma extensão do papel do Doutor que ele sabia interpretar tão bem…Clara Who?!)
Temos a presença do celeiro, lugar onde marcou a infância do Doutor, como vimos em Listen. Durante a Time War, o War Doctor se utilizou do celeiro como local de preparação para a execução de Gallifrey através da arma Moment, como visto em The Day of the Doctor. Em Hell Bent, logo após se libertar da prisão que Rassilon o colocou (seu próprio Disco de Confissão), o Doutor ruma direto para o celeiro.
Mas não há como negar que o destaque do episódio são as atuações de Peter Capaldi, Jenna Coleman, Maisie Willians e a participação mais que especial de Donal Sumpter como Rassilon, que já participou de Doctor Who em 1968 no arco The Wheel in Space e posteriormente em 1972 no arco The Sea Deavils. Maisie Willians se mostra uma atriz muito madura para sua idade, conseguindo passar as diferenças psicológicas que sua personagem sofre ao longo dos séculos em olhares e trejeitos mínimos, mas soando totalmente diferente em suas várias aparições pela temporada.
Peter Capaldi e Jenna Coleman mostram todas suas raízes dramáticas teatrais no momento final em uma interessante referência ao 10° Doutor e Donna, só que as avessas, sendo desta vez o Doutor o afetado e perdendo sua memória sobre a existência de Clara. Vale a lembrança de dois pontos: um deles é a Tardis onde Clara e Ashildr/Me estão viajando, referenciando a série clássica em sua forma mais genuína. E o segundo ponto vemos a Clara Who revertendo a polaridade do fluxo de nêutrons como o 3º Doutor.


No mais fica minha salva de palmas a esse arco finalizador bem elaborado, não poderia pedir por algo melhor. Referenciando o Velho Oeste Clássico, não teve como não lembrar de filmes como “Por um Punhado de Dólares a Mais” e mesmo de “Matar ou Morrer”. Ao longo do capítulo fica evidente a relação entre as classes sociais em Gallifrey, a conturbada relação do Doutor com os Time Lords e a sempre perturbadora ação dos mesmos em relação a quase tudo ao seu redor recebendo imenso tratamento dramático, fazendo desse final uma excelente homenagem televisiva ao homem solitário que eventualmente possui um companheiro ou uma companheira ao longo do caminho, mas que por diversos motivos sempre acaba sozinho, tentando salvar alguma coisa que ele não sabe exatamente o quê e, ao menos a curto prazo, para quê. Exatamente como os pistoleiros do Velho Oeste, só que ao final, ao invés de cavalos perdidos a um pôr do sol silencioso, temos duas TARDISes cruzando o espaço e tempo. Um final digníssimo para uma temporada primorosa que foi esta.

sábado, 28 de novembro de 2015

Review Doctor Who 9x10 – Face The Raven

 

Sei que vai magoá-lo, mas por favor…orgulhe-se um pouco de mim” – Oswald Clara

Despedidas são pratos cheios de emoção, agústia, saudade, ira e temor; um verdadeiro mix de sentimentos. Mas em Doctor Who essas mesmas despedidas podem ser acaradas como atos de coragem, não necessariamente de sacrifício, mas como um ato de respeito ao desejo de um personagem sobre aquilo que acredita como correto.
Clara Oswald certamente deixou sua marca como companion ao lado do 12º doutor, que graças a esta deixou um legado importante na memória do senhor de tempo habitante de Gallifrey. Em Face The Raven temos uma discussão sobre a ordem e o direito de se caminhar pelas ruas. Em outras palavras, o direito de viver custa caro se você desobedece às normas. A roteirista de primeira viagem, Sarah Dollard possui uma forma simplista ao vender a ideia imediatista de que a morte chega para todos. E bate o martelo afirmando que “no fim todos enfrentam a morte sozinhos”.
O capítulo foi montado para deixar rastros do seu início ao fim, e que seus personagens retornarão eventualmente. Ashildr certamente despertou o monstro do doutor ao praticar sua política ilícita. O que deixa a possibilidade enorme que ela retornará num futuro da série. No fim, permanece o questionamento de quem são “Eles”, as pessoas/criaturas que fizeram um acordo com Ashildr e solicitaram o teletransporte do Doutor a um local misterioso.
Temos aqui um típico caso de reaproveitamento de um personagem já salvo recentemente pelo Doutor que vemos surgir com problemas. A roteirista Sarah Dollard de fato foi meticulosa ao levantar determinadas ações tanto do Doutor quanto de Clara, nos dando lances de como eles eram nos meados da 8º temporada, abrindo inúmeras portas a um Universo Expandido. Com uma proposta sem muitas explicações detalhadas, temos Rigsy em perigo por ter cometido um crime nas últimas 24 horas, sem mesmo saber ter cometido tal ação. Rapidamente o episódio se constrói numa corrida contra o tempo à procura pela rua misteriosa que fica no Centro de Londres.
A fotografia foi importantíssima aqui, elaborando uma atmosfera aventuresca em seu primeiro momento nas cenas durante do dia, à uma paleta entre azul e o amarelo para passarmos a noite, com o natural escurecimento proposital aumento de contraste na imagem, em uma espécie de hiper-realidade onde a tragédia virá a ocorrer.
Em um segundo plano, o uso do corvo é um interessante trabalho de metalinguagem que o roteiro propõe com as origens nórdicas de Ashirld, que não à toa, está ligada ao corvo pelas Sombras de Quantum. Vale ressaltar que na mitologia nórdica, os corvos eram associados ao deus supremo, Odin. O capítulo é entregue de bandeja para os telespectadores para que fique evidente o simbolismo do momento.
A todo momento os diálogos sabiamente brincam com vida e morte, paz e guerra. ‘Homem bom’ para ‘homem mau’, persona que remete relances do que um dia já foi o Doutor da Guerra, antes esquecido pelo próprio senhor do tempo. O ritmo na direção de Justin Molotnikov (mesmo que dirigiu o controverso Sleep No More) é essencial para facilitar nosso entendimento. Ele vai de meio hiberbólico a um final urgente pela contagem regressiva da tatuagem que sentencia a morte, mas que nem nós nem o Doutor queremos que chegue.
O fato é que desde do primeiro diálogo do capitulo dos aventureiros sobre sua mais recente conquista. Simbolicamente um jardim, que lembra proteção e alegria ou de contemplação, introspecção e preparo para a morte. A passagem desse cenário a uma rua-armadilha demonstra a mudança de estágio de uma vida para outra (segundo o pensamento Medieval, da Cidade de baixo para a Cidade de cima era praticamente uma sentença de morte). O Corvo, símbolo dos maus presságios e um dos motivos primordiais da “Grande Obra” da Alquimia (sendo isso de valor para uma temporada onde a transformação de um Híbrido é esperada) torna tudo ainda mais instigante e audacioso. A Sombra Quântica obtém ares mitológicos e sci-fi a partir desse uso inteligente do símbolo com os elementos básicos da série.
Então nos despedimos da Garota Impossível, que antes viera a ser apresentada em Asylum of Daleks, que nunca deixou de lutar pela cura interior do nosso adorado Doutor. Aqui tivemos a vitória pela simplicidade do contexto, em um último Adeus a Jenna Coleman.

E agora é respirar fundo para Heaven Sent que trará um Time Lord cheio de ira e sozinho. E bem sabemos as consequências de quando sua persona permanece sem uma companion ao seu lado. A tensão toma conta nesses últimos dois episódios da 9º temporada que trará um desfecho eletrizante e o possível retorno de Gallifrey. Será?

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Review Doctor Who 9x08 – The Zygon Inversion




Nem todos os caminhos levam a um bom episódio, mas todo excelente capítulo que se preze deve possuir um bom discurso. Em Zygon Inverson vemos a magnificência do Doutor no retorno de seus tocantes e realísticos discursos sobre o bem, o mal, o perdão e o amor ao próximo. Delicadamente bem trabalhado em seus detalhes de estrutura narrativa o oitavo episódio veio para trazer uma lágrima, ou algumas (se você for emotivo como eu).
Escrito por Peter Harness em parceria com o showrunner Steven Moffat, o episódio da semana traz uma excelente conclusão ao arco, sem esquecer as discussões inicializadas sobre política e identidade de gênero, acrescentando ainda o emponderamento feminino e mostrando as diretrizes de um pacifista. Com o caos implantado no capítulo passado, agora vemos uma exímia diminuição sob esse aspecto da direção de Daniel Nettheim, o mesmo através das paletas de cores em tons azuis e da trilha sonora o clima de espionagem e militarismo bélico, sendo reforçado pelos figurinos escuros e a aparição de bazucas e ogivas nucleares.
Um dos pontos mais bem-sucedidos da trama nesse ponto, fora o discurso do Doutor, é a forma única como o roteiro trabalha na ligação de Clara com seu outro eu (Zygon), que se intitula como Bonnie. Destaque para Jenna Colemman por estar visceral. Pelas nuncias do seus olhares, postura, modo de andar e tons de voz, o expectador consegue facilmente diferenciar qual é a Clara que está em cena e qual é a Zygon disfarçada.
Vale pontuar aqui, que a 9º temporada vem sendo claramente um mergulho em situações extremas, mortais, e mais perigosas do que normalmente o lorde do tempo e sua companion estão acostumados a lidar. Fora o fato das tramas trazerem consigo fortes composições realistas, de forma a temer pelos personagens e digerir, compassadamente, a “crônica da morte anunciada” que parece permear todo o corpus dessa temporada, que finalizará com a despedida já declarada de Clara.
Outro esplêndido ponto está nas atrizes a já citada Clara, mas também em Osggod e Kate que são personagens que brilham, tomando não só suas próprias ações, como também a resolução dos conflitos, cabendo ao Doutor apenas o papel de diplomata entre as ações.
O conflito interminável possui uma justificativa bastante coerente – novamente aqui o Doutor se recorda da Guerra do Tempo e mesmo que ele tenha a memória nítida de que conseguiu salvar seu povo, suas ações nesta guerra o marcaram de forma muito forte, lembranças que talvez sejam ainda mais dolorosas após 900 anos em defesa de um planeta em The Time of the Doctor. O fato da dupla Osgood Boxes possuir o mesmo desenho da arma Moment, sem mencionar o fato de estarmos diante de uma grande crise na Terra traz tanta emoção tendo em vista o histórico do Doutor nesse instante, que o impacto com o público é grande. Pois sabemos o peso que teve a Time War e paralelo que isso pode ter, dadas as devidas proporções para a humanidade no contexto do arco.
Apesar da minha opinião sobre considerar o capítulo 2 The Witch’s Familiar um excelente episódio, é inegável o quão bem escrito e excelentemente bem dirigido foi The Zygon Invasion/The Zygon Inversion. A dispor-se de tratar de diversas camadas políticas em seu enredo com um discurso e temática perfeitamente interconectados entre os eventos que hoje marcam toda a Europa e o Oriente Médio (Estado Islâmico e Israel X Palestina) principalmente, tal qual a onda de imigrantes e refugiados no velho Continente. E com isso o fortalecimento de grupos separatistas; os grupos políticos marrons e sua ideia de purificação da população na Europa.

Um dos melhores arcos, sem dúvida da Nova Série a discutir sobre identidade, pacifismo e antibelicismo em toda trajetória de Doctor Who. Provando da diplomacia de um herói que não usa poderes ou os punhos e ainda assim consegue salvar o dia apenas usando da ciência e diplomacia.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Review Doctor Who S9x04 – Before The Flood



Fantasmas à bordo numa instalação de minério subaquática, nada mais justo para mais um cenário aventuroso para o Doctor e sua companion Clara. Em Under The Lake tivemos a chance de presenciar o desenvolvimento da maturidade em que se encontra a relação do 12º Doutor com Clara, portanto nesse desfecho de arco temos a reflexão sobre a mortalidade.
Toby Whithouse é o homem por trás do roteiro desse arco, o que antes de mais nada é seguro dizer que ele cumpriu o que prometeu no capítulo anterior. Tivemos uma sólida base no drama e personagens que se desenvolveram e foram relevantes do início ao final do arco. Before The Flood conseguiu encerrar de maneira cirúrgica e pontual cada detalhe que abrangeu, interligando os pontos, não obstante, acrescentando alguns que serão utilizados depois.
Uma das maiores conquistas desse arco está na primeira cena deste episódio, onde Peter Capaldi quebra a quarta barreira, dialogando com o público sobre sua estratégia, que um dia fez história. Após viverem uma série de aventuras Clara e o Doutor agora devem procurar entender o que houve antes da inundação. Enquanto Under The Lake foi um capítulo voltado ao quase horror pela ameaça fantasmagórica, Before The Flood possui uma atmosfera sci-fi, quando observamos o Doutor criar uma intervenção na linha temporal. Quando um acontecimento não poderia acabar diferente da forma que começou. Ou seja, temos o famoso Paradoxo de Bootstrap como centro da questão. Em que a pergunta desferida no início do episódio serve de exemplo perfeito para o desenvolver da trama: “Quem, de fato, compôs a 5º Sinfonia de Beethoven? ”
Constituída com bastante competência é notável a dinâmica do elenco para com a conclusão do roteiro. Onde o episódio 4 ocorre antes do episódio 3; entretanto, os eventos do episódio 4 só foram possíveis porque o Doutor os viu acontecendo no episódio 3. Por essa razão a coerência com o exemplo de Beethoven veio tanto a calhar para o meio narrativo.
Volto a pontuar sobre o espaço para a linguagem de sinais, na personagem Cass (Sophie Leigh Stone) oferecendo um papel de respeito. Pois aqui vemos momentos que ela teve sem a presença do tradutor Lunn (Zaqi Ismail). Onde apenas Cass e Clara estão presentes em cena, sem legenda para o que Cass tenta passar como informação. Isso demonstra o lado humanitário que vale a pena ser mencionado, por demonstrar solidariedade e a consciência de que a linguagem dos sinais é uma língua como nenhuma outra. Isso mostra como Doctor Who é uma série sem medida, por esses e outros detalhes que desperta sua magia e interesse do público.
Vale lembrar sobre a participação de Corey Taylor, vocalista da banda Slipknot e Stone Sour, que fez com propriedade o urro do Rei Pescador (Fisher King). Onde temos mais dois papéis, um para um suit actor vestir o figurino da criatura e outro para dublagem da mesma. Em outras palavras, três pessoas para apenas um personagem, o que demonstra a qualidade da equipe de produção. Sem mencionar a cena em que o vilão com seu design bárbaro tem um diálogo com o Doutor, de forma imponente e ameaçadora desferindo frases como: “Você ainda está preso na sua história, ainda protegendo o tempo como um escravo. Disposto a morrer ao invés de mudar uma palavra do futuro. ” Traz uma beleza estética impressionante, tornando este um dos melhores takes do capítulo.

A abertura na versão rock foi outro fator determinante para mais um detalhe que colaborou para um episódio bem dirigido, tremendamente bem escrito, inteligente e ao mesmo tempo um pouco angustiante. Before The Flood deu uma aula sobre cinema, mudando a locação, alternando entre uma fotografia destoante para uma mais sensitiva. Certamente um arco a ser lembrado, pela sua supremacia na forma de construção e finalização. 
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