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sábado, 4 de julho de 2015

Crítica – Re-Kan!


Praticamente toda temporada tem aquele anime leve, aquele que a gente assiste depois de um dia cheio ou de um episódio pesado de seinen, haha. Bem, nesta temporada passada de primavera 2015 nós tivemos o anime Re-Kan! cumprindo este papel. Mas um anime josei que envolve sobrenatural e ainda consegue ser comédia? Senta aí que já vem história...

O anime gira em torno de Amami Hibiki, uma garota bonita e gentil que possui a habilidade de se comunicar com espíritos (daí o nome do anime “re-kan”, que significa literalmente “sexto sentido”). Protagonizando ao lado dela, temos a personagem Inoue Narumi que é uma tsundere completamente medrosa quando se trata de mortos/espíritos e coisas sobrenaturais. As duas garotas acabam por se conhecer por acaso no caminho para o colégio no primeiro dia de aula delas no ensino médio. Apesar de parecer estranha à primeira vista - por ser arrastada por forças invisíveis, falar com o ar e ter portas se abrindo sozinhas diante dela – Amami-san consegue formar seu grupo de amigos na escola. Seus colegas acabam por se acostumar com os acontecimentos sobrenaturais que cercam a garota, tratando o sexto sentido como apenas uma informação a mais sobre ela, pelo fato da mesma ser uma pessoa muito gentil e boa amiga. O desenvolvimento dos episódios segue como casos semanais que trazem temas como amizade, família, promessas e eventos escolares.
Adaptado do mangá de mesmo nome, escrito e desenhado por Seta Hinako, Re-Kan! é um compilado de tirinhas adaptado pra anime pelo estúdio Pierrot Plus (Beelzebub e Yuusha ni Narenakatta Ore wa Shibushibu Shuushoku wo Ketsui Shimashita.). O roteiro e a composição de série ficou nas mãos de Aoshima Takashi (No Game, No Life, Yuru Yuri – Happy Go Lily e o estreante dessa temporada de verão Himouto! Umaru-chan), que fez um ótimo trabalho. A parte do sobrenatural não assusta de verdade, mas te dá uma perspectiva em que os fantasmas são pessoas que podem ser muito amigáveis. Os personagens inclusive ficaram mais dinâmicos do que no mangá, a adaptação dos acontecimentos das tirinhas para casos semanais ficou fluida e, ainda por cima, ele conseguiu criar uma boa linearidade entre os episódios. Outro ponto que ficou bem escrito foi a “brincadeira” de tornar a relação entre Inoue e Amami quase homoafetiva. Cenas sutis num tom de comédia e um pouco estereotipada [mas eu shippei até o fim *-* haha].
A direção de Kudo Masashi (Bleach, Ikki Tousen e Planetes) foi precisa e fundamental para que o essas cenas funcionassem, sabendo medir bem os momentos de comédia e drama. Mesmo com o clima leve, quando a intenção era emocionar o espectador ele foi certeiro. Kudo-san conseguiu tornar os personagens bastante empáticos também – com destaque para a própria Amami, a Inoue, o Ero-neko, o “Samurai da Chama” e a “Gatinha fantasma”.


A animação e arte ficaram proporcionais a história, não precisava de muitos efeitos para dar certo considerando que a maioria das coisas se passa em um cenário escolar. O design de personagens feito por Yamamoto Aoi (Fairy Tail) é bem redondinho mas não é tão bonito quanto o do mangá. O que acaba incomodando um pouco é o jogo de luzes que parece muito forte a maior parte do tempo.

A trilha sonora é bem básica também, tão básica que o responsável por ela nem teve o nome divulgado, haha. Mas cumpre bem o seu papel nas horas que aparece. As músicas de abertura e encerramento, “Colorful Story” e “Kesaran Pasaran”, são interpretadas pelas integrantes do grupo Every♥ing. A animação de abertura insinua bastante uma relação além de amizade entre a Inoue e a Amami, apesar de mostrar também as outras personagens. O encerramento mostra versões chibi de todo mundo de maneira bem fofinha também. Músicas divertidas, com vozes fofas e animadas, o que combina bastante com a comédia do anime.

Um anime slice of life com uma protagonista simpática que vê fantasmas e vive dias divertidos com seus amigos vivos e mortos. Não nego que o subestimei um pouco em relação a outros nesta temporada, mas a forma como o poder da Amami foi retratado na relação de ajudar as pessoas e formar laços o tornou muito agradável de se assistir. Re-Kan que acabou surpreendendo de uma maneira muito positiva no fim das contas.

 Nota: 8/10

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Crítica – Owari no Seraph (1ª temporada)



Cenário pós-apocalíptico, vampiros, um protagonista impulsivo e movido pela vingança. A primeira impressão que Owari no Seraph nos passa é que ele não trará nada de novo em sua plot. Aposta arriscada em gêneros clichê? Provavelmente. Mas o que poderia torná-lo um dos animes mais vistos e populares desta temporada de primavera?

O primeiro episódio do anime nos situa numa Terra em que 90% da população mundial acima dos 13 anos de idade é dizimada por um vírus letal e de origem desconhecida. Ao mesmo tempo em que os adultos vão morrendo, vampiros surgem na cidade e começam a atacar e sequestrar as crianças remanescentes, identificando cada uma e levando-as para um cerco desconhecido. O foco da trama está em duas personagens principais, Hyakuya Yuuchirou e Hyakuya Mikaela, eles não são parentes de sangue mas se tratam assim pelo fato de que eles e mais um pequeno grupo de crianças foram trazidos do mesmo orfanato, o que os leva a tratarem uns aos outros como a família Hyakuya (nome da senhora que cuidava deles e era dona do orfanato). Após alguns anos vivendo no cerco, que acaba por revelar-se como uma cidade vampira, as crianças são tratadas como “gado humano”, fornecendo o próprio sangue como alimento. Cansados de viverem sob o controle dos vampiros, Yuu e Mika armam um plano para fugir junto com sua família, mas tudo dá errado e o único a conseguir escapar é Yuu. A partir daí o anime começa uma nova fase, dando continuidade à história dos dois garotos protagonistas anos depois da fuga e trazendo mais adiante o confuso reencontro entre eles.

O anime tem sua base no mangá de mesmo nome escrito por Yamamoto Yamato e com arte de Kagami Takaya. O roteiro de Hiroshi Seko (Kill La Kill, Zankyou no Terror, Shingeki no Kyojin, outros) se mostra bastante fiel ao mangá, então pra falar de um e outro é possível fazer a mesma análise. A sensação que ficou do roteiro no final é de que toda a primeira temporada é uma preparação para a real trama que deve se mostrar na segunda temporada (que começa no 16º capítulo do mangá). O que explica muita coisa mas que deixou más impressões para os telespectadores. É muito fácil se empolgar com o anime no primeiro episódio, o ritmo é equilibrado, o clima de mistério é instigante e as expectativas sobre os próximos acontecimentos são altas. Porém, a partir do segundo episódio o roteiro vai se tornando mais lento e, apesar de ter seus momentos de ação, é extremamente mais calmo do que o mostrado no primeiro episódio pois até o episódio 4 e começo do 5 ele se encontra em cenário escolar. Esta parte também se encarrega de apresentar novos personagens, sendo que alguns deles formam o novo grupo de Yuu. Acredito que o fato do anime levar quase a metade da temporada para mudar de ritmo e introduzir personagens fez parecer que a plot não ia pra frente, apesar de eu não considerar os episódios de 2-4 como fillers. Como o dito anteriormente, Seko-san buscou ser fiel ao mangá porém o maior problema nessa decisão foi não levar em conta a diferença de ritmo em leitura e em animação. O diretor Daisuke Tokudo (Blood +, Shingeki no Kyojin, Tokyo Magnitude 8.0, outros) podia ter dado toques diferenciais para que isso não ocorresse.

No geral a direção teve um bom desempenho. O fato do roteirista e do diretor já terem trabalhado anteriormente com Shingeki no Kyojin fez Owari no Seraph ter momentos de ação muito bons e dramaticidade acentuada. Essa dramaticidade deu aos personagens reações bastante críveis, tornando suas personalidades mais interessantes e complementando o bom design feito pra cada um. Apesar disso, os mesmos pecaram um pouco em momentos de intercalar cenas. A maioria das pessoas que acompanharam o anime nesta temporada teve dificuldade em entender alguns acontecimentos que fariam sentido numa leitura de mangá, mas não em um desenho animado. Esta parte da adaptação é difícil para qualquer profissional que se coloque nessas posições de diretor e roteirista mas, devido ao currículo de ambos, as transições de cenário poderiam ser melhores e sem atrapalhar a linearidade em alguns segmentos.


                              


Acredito que o ponto mais empolgante do anime foi a arte e a animação. A direção de arte ficou nas mãos de Seiko Yoshioka (Black Rock Shooter, xxxHolic, Lupin III, outros) e o design de personagens feito por Satoshi Kadowaki, sendo os dois também muito fiéis ao mangá. O traço de Kagami Takaya teve seu valor mantido, a animação é fluida e a arte bem detalhada. O WIT STUDIO teve uma excelente equipe neste setor, mantendo seu alto padrão (mostrado anteriormente em Shigeki no Kyojin) que se tornou um diferencial entre os animes desta temporada. Os personagens e cenário ficaram muito bonitos.

A produção musical feita por Yasushi Horiguchi é um excelente suporte na ambientação. As cenas são bem preenchidas tendo ainda alguma similaridade com Shingeki no Kyojin, já que Horiguchi-san também fez a produção deste. A abertura X.U. (interpretada por Gemie) é empolgante e complementar com as cenas de ação (com uma arte maravilhosa), o encerramento é a música scaPEgoat (interpretada por Yosh) com uma melodia forte e uma animação mais parada dando bastante foco pra arte dos cenários. Ambas as músicas foram compostas por Sawano Hiroyuki, que trabalhou também compondo para Aldnoah.Zero, Shingeki no Kyojin, Kill La Kill, Ao no Exorcist e outros.


Owari no Seraph, mesmo com todos os clichês, é um bom anime seguindo o padrão shounen. Seus pontos fortes estão nos personagens enquanto indivíduos e na arte (que, diga-se de passagem, é uma das melhores dessa temporada). O que o tornou muito popular, mesmo com suas falhas de direção e adaptação.

Nota: 7.6/10
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